Oftalmologia

Oftalmologia: especialidade que é maior do que a própria medicina
oftalmologista examinando olho de paciente

Oftalmologia: especialidade que é maior do que a própria medicina

 

Dr. João Paulo Lomelino fala sobre a Oftalmologia.

1) O que é?

O oftalmologista é o médico especialista cuja função é preservar a saúde ocular e estabelecer a melhor visão possível aos pacientes, diagnosticando e tratando patologias nos olhos e seus anexos (clinicamente ou cirurgicamente), promovendo a prevenção de patologias oculares e prescrevendo lentes corretivas para otimizar a visão para longe e perto.

2) Como é o dia a dia?

A rotina dos oftalmologistas é muito variada. Por ser uma especialidade tanto clínica quanto cirúrgica, o oftalmologista pode estabelecer seu dia a dia de acordo com a sua preferência, sendo que, mesmo para os cirurgiões, a rotina de consultório/ambulatório é fundamental. As consultas tem etapas bem definidas, e requerem constante movimentação do médico de um aparelho ao outro. Uma consulta básica consta de:

– Acuidade visual: medida objetiva da visão do paciente.
– Refração: medida do “grau” do paciente, podendo ser realizada de forma automatizada com autorrefrator, ou manual com retinoscópio ou esquiascópio, e depois confirmada de forma subjetiva no refrator de Greens (aquela hora onde perguntamos se é melhor uma lente ou outra).
– Biomicroscopia: que é a observação das estruturas oculares com maior aumento em um aparelho chamado “lâmpada de fenda
– Tonometria: medida da pressão intraocular, realizada com o tonômetro, normalmente acoplado à lâmpada de fenda
– Fundoscopia: exame do fundo de olho, que pode ser com ou sem dilatação da pupila, de três maneiras:

  • com uma lente de 70 ou 90 dioptrias na lâmpada de fenda (biomicroscopia de fundo)
  • com o oftalmoscópio direto ou
  • com o oftalmolscópio indireto (este último, com dilatação da pupila, também conhecido como mapeamento de retina por possibilitar o exame de toda a retina)

Outros exames básicos como avaliação dos reflexos pupilares e senso cromático podem ou não ser realizados de acordo com a indicação de cada paciente. A duração de uma consulta varia muito, tanto pelos quadros (que podem ser simples ou complexos) quanto pela própria condição física do paciente e sua tolerância aos exames.

3) Oportunidades de trabalho:

O oftalmologista tem um leque amplo de opções de trabalho, visto que pode desempenhar somente a parte clínica, se quiser, ou também realizar exames complementares e cirurgias. Pode-se trabalhar para outros colegas ganhando um percentual da produção ou com salário fixo por período, ou ter seu próprio negócio. Quanto a emprego em hospitais, pode-se prestar serviços de parecer e emergência para hospitais privados ou ser contratado de hospital na rede pública, normalmente por concursos ou contratos temporários.

4) Número de especialistas:

Um censo realizado pelo CBO (Conselho Brasileiro de Oftalmologia) em 2014 revelou que no Brasil atuam 16.395 especialistas, mas como aproximadamente 6% atendem em mais de uma cidade, para efeitos de distribuição pode-se ajustar o número para aproximadamente 17.500 oftalmologistas em todo o território nacional.

5) Curiosidade(s):

– O investimento médio em aparelhos para montar um consultório básico é de aproximadamente R$60.000,00 (somente em aparelhos). Mas o gasto pode ser muito maior. Como exemplo, alguns aparelhos mais recentes na subespecialidade que eu escolhi, retina, podem chegar a perto de R$ 1.000.000,00, e aparelhos cirúrgicos de última geração em cirurgia refrativa, até algumas vezes essa cifra.

– Uma curiosidade não tão boa é que, diferente do que os outros especialistas pensam, a rotina é bem trabalhosa. É verdade que é muito comum não fazer nem depender de plantões na especialidade, mas lidar com um sentido tão importante como a visão é algo por vezes bem intenso psicologicamente. Dar a notícia ao próprio paciente de um prognóstico reservado em relação à visão é uma tarefa árdua. Quando converso com os residentes, por vezes, comparo (em menor proporção, claro) com o difícil papel de comunicar o óbito, mas a diferença é que comunicamos ao próprio paciente. Esse é o nosso “pior momento” e ele não termina, visto que é muito comum o paciente continuar procurando por alternativas a quadros por vezes sem solução possível pelas nossas mãos.

6) Especialidades correlacionadas:

  • Reumatologia, com as diversas manifestações oculares em doenças reumatológicas;
  • Endocrinologia, com alterações decorrentes de diabetes e doenças da tireoide;
  • Geriatria, com a crescente incidência de doenças oculares relacionadas à idade, como a Degeneração Macular e a própria catarata;
  • Cardiologia com manifestações oculares da hipertensão arterial sistêmica

7) Área de atuação:

Existem dentro da Oftalmologia diversas sub especialidades, como: córnea, refrativa, plástica ocular, retina, glaucoma, catarata, segmento anterior, doenças externas, lente de contato, estrabismo e uveite. Sem contar ainda com as possíveis ramificações dentro de cada uma delas. Como diria um grande amigo de residência, Dr Jean Fogaça, com sua perspicácia e senso de humor: “A oftalmologia é maior que a própria medicina”.

8) Mensagem para quem quer seguir essa especialidade:

Minha mensagem para o estudante que quer seguir a oftalmologia é suspeita: siga! Mas é importante saber que ela é suspeita pois sou apaixonado pela minha área. Então corrijo minha mensagem: siga, se for apaixonado pela área.

Vejo muitos colegas entrando na especialidade com a falsa impressão de que vão trabalhar pouco e ganhar muito. Já vi muitos desistirem, ou pior, continuarem fazendo, mas sempre insatisfeitos e reclamando. Eu amo muito o que eu faço. Por isso sou um contínuo entusiasta para os que desejam seguir.

Mas venham pelo motivo certo. Venham pela paixão. Não venham pelo desenho que outros fazem para você da tal “qualidade de vida” na oftalmologia. No meu humilde ponto de vista, não tem nenhuma área médica que você, recém formado, não terá sucesso se realmente gostar do trabalho.

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